Guia PDRN

Guia essencial

PDRN: o que é e o que a ciência diz

O que é PDRN, de onde vem e o que os estudos mostram sobre injeções, sérums e cremes. E o que ainda não foi provado.

Atualizado em · 3 min de leitura

Resposta curta

PDRN (polidesoxirribonucleotídeo) é uma mistura de fragmentos de DNA purificados, extraídos principalmente do esperma de salmão e de truta. Começou como medicamento injetável para cicatrização de feridas na Itália, e é aí que está a melhor evidência. Em estética, os estudos são poucos, pequenos e de qualidade limitada, e a maioria usa PN, um parente do PDRN. Para sérums e cremes, a evidência ainda é muito fraca.

O que a ciência diz, por uso

  • Feridas (pé diabético), injetávelBoa

    Ensaio duplo-cego com 216 pacientes: cicatrização completa em 8 semanas em 37% com PDRN contra 19% com placebo. Mas não é estética.

  • Rejuvenescimento, injetávelLimitada

    Poucos ensaios pequenos, quase todos com PN (polinucleotídeos), não com PDRN. Qualidade baixa a moderada.

  • Sérum ou cremeMuito fraca

    Um único ensaio randomizado e duplo-cego com creme de PDRN de salmão no rosto: 31 mulheres, 28 dias, autores ligados à indústria.

  • CabeloMuito fraca

    Dois estudos pequenos de PDRN injetado e alguns de PN, nenhum com placebo. Nada sobre shampoos ou tônicos.

De onde vem o PDRN

O PDRN é DNA de peixe purificado: os fragmentos vêm sobretudo do esperma de truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss) ou de salmão-keta (Oncorhynchus keta). O processo retira as proteínas e deixa mais de 95% de DNA.

Na Itália ele é usado há décadas como medicamento (Placentex), em injeções, cremes e colírios, para lesões e feridas. Depois passou a ser usado em clínicas de estética, sobretudo no leste da Ásia, e de lá chegou aos cosméticos que hoje são vendidos no Brasil.

Atenção à confusão de nomes: PDRN e PN (polinucleotídeos) são da mesma família e diferem no tamanho dos fragmentos. Muitos estudos estéticos conhecidos usam PN (como o Rejuran), não PDRN. Os resultados de um não valem automaticamente para o outro.

Como ele agiria

A literatura descreve dois mecanismos:

  1. Receptor de adenosina A2A: o PDRN ativaria esse receptor, o que reduziria sinais de inflamação e estimularia a formação de vasos e a maturação de fibroblastos.
  2. Via de salvamento: os fragmentos forneceriam “peças” (nucleotídeos) que células danificadas reaproveitam para produzir DNA.

Esses mecanismos vêm sobretudo de estudos de laboratório e de cicatrização de feridas, não de cosméticos.

Sérum de PDRN funciona?

É a pergunta que mais importa para quem compra, e a resposta honesta é: ainda não se sabe.

  • Para creme com PDRN de salmão na pele intacta do rosto, encontramos um ensaio randomizado e duplo-cego: 31 mulheres usaram um creme para a área dos olhos com PDRN num lado do rosto e retinol 0,1% no outro, por 28 dias. O lado com PDRN melhorou mais nas rugas ao redor dos olhos. Mas é um estudo pequeno, curto e feito por autores ligados a empresas de cosméticos, e o retinol tem décadas de estudos a seu favor.
  • Os fragmentos de DNA são moléculas enormes para a pele (milhares de vezes maiores que a maioria dos ativos cosméticos). Não há prova sólida de que atravessem a pele intacta em quantidade relevante.
  • Verifique se o produto informa a concentração de PDRN: sem esse dado, é difícil saber quanto ele contém. E observe os outros ativos da fórmula (niacinamida, peptídeos, ácido hialurônico): eles podem explicar boa parte do resultado.

Em resumo: um sérum de PDRN pode ser um bom hidratante, mas não espere dele o que se lê sobre as injeções.

É seguro?

  • Nos ensaios clínicos com injeções, os efeitos colaterais foram sobretudo leves e locais: vermelhidão, inchaço e pequenos hematomas. Reações de hipersensibilidade são possíveis.
  • Alergia a peixe: não há casos publicados de reação ao PDRN, mas o risco nunca foi medido. Referências clínicas desaconselham injeções em quem tem alergia a peixe ou frutos do mar.
  • Gravidez e amamentação: não há dados. Fale com o seu médico antes de qualquer tratamento ou produto novo.

O que diz a regulação no Brasil

Segundo o parecer 2936/2025 do Conselho Regional de Medicina do Paraná, todos os produtos com PDRN regularizados na ANVISA (22 na consulta de agosto de 2024) eram cosméticos de uso tópico, e injetá-los não é permitido. Segundo o mesmo parecer, a Sociedade Brasileira de Dermatologia já tinha alertado, em 2023, que cosméticos não devem ser injetados.

Na prática: se alguém oferecer “injeção de PDRN”, desconfie. Confira o registro do produto na ANVISA e procure um dermatologista.

Perguntas frequentes

PDRN é esperma de salmão?

É feito a partir dele. O PDRN é uma mistura de fragmentos de DNA purificados, extraídos principalmente do esperma de truta arco-íris ou de salmão. A purificação remove as proteínas; o que fica é DNA.

Sérum de PDRN funciona igual ao injetável?

Não há evidência disso. Para cremes com PDRN de salmão na pele intacta do rosto, encontramos um único ensaio randomizado e duplo-cego, pequeno (31 mulheres, 28 dias). E não está claro quanto desse DNA atravessa a pele.

PDRN injetável é liberado pela ANVISA?

Segundo o parecer 2936/2025 do CRM-PR, todos os produtos com PDRN regularizados na ANVISA até a consulta de agosto de 2024 eram cosméticos de uso tópico, e injetá-los não é permitido. Registros podem mudar: confira na ANVISA e fale com um dermatologista.

Quem tem alergia a peixe pode usar PDRN?

O risco teórico é baixo, porque a alergia a peixe é causada por proteínas e o PDRN purificado é DNA, mas ele nunca foi medido. Referências clínicas desaconselham injeções em quem tem alergia a peixe ou frutos do mar. Antes de usar um cosmético, fale com um dermatologista.

Existe PDRN vegano?

Existem produtos com DNA de plantas, algas ou bactérias vendidos como 'PDRN vegetal'. É outra substância: os estudos feitos com PDRN de salmão não valem para eles.

Fontes

  1. Squadrito F et al. The effect of PDRN, an adenosine receptor A2A agonist, on the healing of chronic diabetic foot ulcers. J Clin Endocrinol Metab, 2014
  2. Galeano M et al. Polydeoxyribonucleotide: a promising biological platform to accelerate impaired skin wound healing. Pharmaceuticals, 2021
  3. Lampridou S et al. The effectiveness of polynucleotides in esthetic medicine: a systematic review. J Cosmet Dermatol, 2025
  4. Alhussain AM et al. Polynucleotides and polydeoxyribonucleotides for skin rejuvenation, scar prevention and wound healing: systematic review of RCTs. Cureus, 2026
  5. Ye R et al. Topical medium-length PDRN enhances dermal extracellular matrix repair in photodamaged skin. PLoS One, 2026
  6. Marques C et al. From PDRNs to PNs: bridging the gap between scientific definitions. Biomolecules, 2025
  7. Parecer CRM-PR n.º 2936/2025 sobre o uso de PDRN
  8. EyeWiki (American Academy of Ophthalmology). Periorbital polynucleotide injections